Textos, Filmes e afins.

Textos

Annette (2021)

Romantismo operático batalha, e sucumbe, ao vácuo da atualidade. Annette, de Leos Carax, começa de forma meio tortuosa focando nas apresentações do comediante Henry de Adam Driver, que me parecem esquisitas, desconjuntadas. Em seus melhores momentos, Driver evoca o performático corporal de Denis Lavant, mas com um teor autoconsciente, autodestrutivo (americano – aliás o Driver agradece ao Chris Rock e ao Bill Burr nos créditos, caso seja do interesse de alguém que entenda de stand-up). Mas em ge

Kid A: mil maneiras de ansiedade

Das diversas de facetas e histórias que envolvem a pré-produção, gravação e lançamentos do que foi gravado nas sessões para o álbum Kid A, de Radiohead, a que mais me interessa é a mística sobre a tracklist. Talvez pelas entrevistas que existem sobre a possibilidade de lançá-lo como um álbum duplo, talvez pela imensa variedade dos B-sides disponíveis da era – sem dúvida os melhores da carreira da banda, 28 músicas, finalizadas e lançadas pela banda, somando Kid A, Amnesiac e o que acompanhou o l

The Matrix Resurrections (2021)

Para uma série tão pautada nos sentimentos do protagonista (a fé, o destino, etc), os filmes sempre eram mais ligados ao anti-Neo. Agente Smith ditava o cinismo burocrático do final dos anos 90 nos 3 filmes iniciais, que era toda a estética da Matrix, enquanto aqui sua nova encarnação, enquanto CEO-de-Mocassim-sem-meia, é exatamente a figura desse novo universo da presunção millenial, no qual o Morpheus, fanático da fé no primeiro filme, é apenas uma simulação esvaziada de sentido além da função

Whole New World/Pretend World: artes pandêmicas

Houve, e ainda há, uma forte ânsia generalizada por encontrar pontos de encontro entre a arte, em especial o audiovisual, e a pandemia e a quarentena desde seu início em 2020. Comparações óbvias como o filme-burocracia do Contágio, de Steven Sodenbergh, e ainda filmes-desastres como o Epidemia, de Wolfgang Petersen. Mas também um prognóstico, aterrorizante pela baixa qualidade das propostas, de filmes que ainda iriam abordar a pandemia e, principalmente, a sua manifestação no dia a dia - infindas piadas sobre distanciamento, uso de máscaras e chamadas de vídeo.

Taiga (1992)

Há duas reações das crianças mongóis no documentário de Ottinger: as que estão ultra curiosas e intrigadas com a câmera e as pequenas demais (ou distraídas demais) para perceber a sua existência e que seguem sua vida normalmente. Essa variação, entre a participação ativa na construção do filme ao reconhecer a câmera e a participação apenas como "objeto", sem olhar à câmera, se repete também nos adultos: alguns se perdem dentro do fascínio que a presença de Ottinger causa, mas muitos simplesmente

American Sniper (2014)

Kyle encarna plenamente toda uma mitologia tradicional - "god, country and family, right? -, assim como o funcionalismo da sua tarefa (lembrando o Sully, que negava um heroísmo em nome simplesmente de estar fazendo "sua tarefa"), e nunca questiona nada disso. Aí que a atuação do Bradley Cooper é tão genial, colocando uma alienação latente ao lado de um personalismo que nunca deixa de existir - porque é justamente aí que Eastwood, do alto do palanque republicano, se diferencia da imensa maioria d

A.G. Cook - 7G (2020)

Getting the obvious out of the way here: yes, it is too long. I haven't, and probably never will, listen to it in full in one sitting. And I don't even buy the whole '7 albums' idea that much, it really seems just an excuse to better organize the track list. That said, I wouldn't have this any other way. Somehow, being this long makes this way more special than it actually could be. The easy comparison is with Cook's Apple, which plays with ideas that are all around here, but somehow just feels flat next to 7G.

The Song of Songs (1933)

Mamoulian no Love Me Tonight surpreende por conseguir colocar o filme completamente em sua mão - ao contrário do que o par Chevalier + Jeanette Macdonald, dupla clássica Lubitschiana, poderia implicar. Seja em termos do uso dos atores (o Chevalier fica triste! acho que em nenhum filme do Lubitsch ele permite o Chevalier ser qualquer coisa que não um malandro, um apaixonado ou um egoísta), ou em termos formais mesmo, com a montagem do momento final do filme, algo que o Lubitsch nunca faria. Então

Sobre

I am a freelance copywriter based in Manchester, UK. You can follow me on social media with the links below.

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.

Redes